(s/ título)
Sonho - e estou acordado - c'o a vera linguagem dos homens, verbo final d'adamica adveniência, onde o nomear exacto exuma os corpos, onde é clara e luminosa a clareira d'entender, onde se diz hoje o que amanhã soará e tudo é um. Sei, que o advento ainda não é, mas sinto, com igual força, que está para breve, não digo num compasso de suspiro, nem sequer do voo d'andorinha, mas do escoar das areias se depreende que muito não falta nem muito pode faltar. Pois é louca e livre a fome, e a dor e a peste e engano e, se umas e outras perseguem as gentes, são encobertas - as daninhas - plo som surdo e mouco de quem fala para não ser ouvido, de quem escuta coisa nenhuma, que o diálogo não sobrevem nem sobrevive, não subsiste nem subjaz, quando é curta a palavra e o nome não revela e s'esconde, matéria negra, deletéria, tanto fere e mata sem um eco que seja. Outrossim, o tempo é escasso, para dizer tudo isso, e mesmo para inventar, reformulando, o velho, gasto vetusto, latinório que serve e serviu quando bastava dizer o necessário e não, como agora se bem vê, que se faz mais do que urgente gritar o que falta, o que nunca houve e terá de ser erguido, contra o vento cortante e o mar salino, contra a torpe verve daqueles que prosperam na derrota, contra, enfim, contra as lâminas cortantes e finas, que rasgam tecidos e osso, e pedras de contundente coturno que chovem intempestas, que soterram ímpias e brutas, como só elas sabem ser. Ademais, outras bestas há, que aguardam a nova epifania para semear a discórdia, as invejas e veneno. Se for possível dizer o que é mister calar issone. ![]() ![]() |
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