(s/ título)
Ademais, porque me foi ofertada a palavra, não o sei. Ainda, quando não para sempre. Durante tempos e tempos, longamente, deambulei peranbulante, interrogando mudamente as coisas. Estas falavam-me mas eu, em era-má, não lhes podia responder. Por isso o isolamento era um companheiro, um amigo onde inarticuladamente mantinha o solilóquio possível, nesses recovos de mim, mas com o alvar entendimento de quem está condenado à demência natural que a privação do justo e leal manuseio do verbo impõe. Sei, contudo, que num claro e cristalino momento, quis o Altíssimo que o luminoso do dizer s'acendesse, finalmente, em meio do vacilante espírito e o que era informe pensar ganhasse a ágil vida de dizer, Assim é o mundo, verde, puro e primevo e não mais estarei apenas dentro, poderei, doravante, falar com a pedra e enformá-la em mó, chamar Eolo para que enfune a vela, mimar o trigo e pedir-lhe grão. E todas as demais coisas - e que tantas são - que me faltam os anos para engendrar, de própria e vera maneira, o seu minucioso relato. E assim, d'ufana exaltação, tudo fui a dizer numa ventura de ledo abandono que nem se vislumbrava limite ou término até compreender, de súbito e igual modo ao da primeira revelação, est'outra pertinaz e terrível, de que, se o mundo está aberto ao feliz nomear iludir-me-á, quiçá perenemente, para grande mortificação da voraz inquirição e mesmo que Seu dilecto - ou, talvez, por isso - a razão fundadora deste inesperado dom, pois serão, por demonstrável e seminal natureza, imperscrutáveis os misteriosos desígnios de nosso Santo Pai & Senhor.
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