(s/ título)
Meus passos levam e transportam, deambular perambulantes, aí por aí, na volta dos caminhos, nas escuras & escusas das vielas, dos becos e pátios e, de há muito, também patíbulos, no exacto lugar da encruzilhada onde tudo flui, reflui e conflui ou talvez onde o nada se faça presente e austero na sua natureza de coisa nenhuma que, no entanto, assola os viventes sedentos de ar e de ser e de amor ao que é d'amar e de asco ao que fere e é duro e é mau e ruim, pois todos aqueles que procuram, buscando a vera senda, haverão d'encontrar o que para eles está, desde sempre, de perene em suspenso, guardado e resguardado por terríveis tremendos mastins que de uma casa levam palmo e que fazem tremer de pavor o mais audaz usurpador; pelo que é, assim destinado andei calcorreando tanto o orbe que lhe conheço as esconsas reentrâncias dos recovos tão umbrados que se não diria que conhecer fosse possível até a mais do que um homem mas é e para provar, se prova carecesse a minha mui grave e austera figura, aqui tentes encerrada em meu punho cerrado as chaves e senhas de todas as portas portões e portadas qu'escondem dos olhos dos ímpios e dos imerecedores curiosos setenta e sete faustosos segredos que dão paz e dão terra e dão ar e dão ouro e dão chão e dão guerra e dão a sã saúde aos moribundos e dão livre passagem pelo rio de negras águas e dão luz a quem a não vê e dão o propósito vero e final a quem procura e não encontra, a quem anda perdido sem saber que se perdeu e a quem alegria não teve e não tem mas sonha, ainda, com o dia em que a dívida de ser, assí tão triste, será remida pela recta presença de um anjo fiel. ![]() ![]() |
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