O Anacoreta
Aquele que disser a palavra final nascerá pobre e viverá pobremente entre os homens. Será seu mister dizer a palavra mesmo que lhe tenham arrancado a língua. Seu direito e seu dever, o de a dizer. Apenas uma palavra (a palavra), a cifra secreta que só a ele lhe foi dada.
(Raciocinam os sábios teólogos que se o Verbo deu início à criação só o Verbo lhe deverá pôr fim, será justo que a criatura participe no desenlace, proferindo o sinal determinado no princípio dos tempos. Ao Homem foi dado o dom da palavra com esse único objectivo e poder assim vindicar os infortúnios da sua existência). No deserto pouco há para comer, perdão Sr. Gafanhoto, hoje serás o meu sustento. Em cima da pedra avisto a cidade dos homens, ao longe diviso uma nuvem de pó, os algozes aproximam-se. Dai-me forças para calar a dor, que me torturem mas que não quebre o voto. No meio desta poeira sonho com o mar (que nunca vi) mas que tenho pela grande obra do Senhor. A imensa vastidão de mil rios. ![]() ![]() |
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