(s/ título)
se a morte, essa daninha, te espera, como, de certa atinada certeza o faz, tal-qualmente, aliás, sempre fez e, de consabida previsão, não deixará de fazer, então sossega aguarda pela sua certeira chegada, a não ser, claro está, que ela de cenho arregaçado, empunhando a fria gadanha ou, quiçá, outro mais moderno aparato de mondar os campos-de-gente encontre, ela própria, por tão antiga ou até enfado, o fim de perecer, isto é, de a morte mesma morrer; de todo o modo, a pergunta que tão descabida hipótese coloca ao vivente, em rigor ao sobrevivente - que somos todos, eu que ainda escrevo esta linha e tu que me lês agora - é: se a morte morresse quem a ceifava, assegurando também a escolta e o Norte em direcção ao último destino? iria ela sozinha pelo caminho que jamais de singelo alguém trilhou, ou haveria uma sobremorte, de carranca capaz d'assustar e fazer temer aquela cruenta que nos aflige? ouço-te, de resto, contra argumentar, Disparate, a morte não pode morrer, ora por não querer ir sozinha, ora por fazer falta ao justo equilíbrio da renovação, ciclo vital do que é matéria viva-pulsante, ora, em fim, pela pura-simples razão atrás aventada de não ter ela, a mais triste por suportar infinda existência, quem lhe dê o merecido descanso após tanto trabalho e constante cuidado a prover o previsto desfecho à ensandecida perfídia dos homens. ![]() ![]() |
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