XXIII
#1 Nós: Não somos mais que uma casca de noz, quando não somos uma casca de nós. #2 Ouçam: Quando um sonido se torna em zoado e este ascende a ruído, ensurdecedor barulho que nos ofusca os sentidos até às entranhas. #3 Só o mais frágil perdura. Que o tempo (incessante como ele só) trabalha contra toda a dureza adamantina. #4 Eis a gotícula. Pinga que pinga até tocar no fundo das coisa. #5 Para quê viajar, se nunca saímos de nós? #6 Salta a pulga. Saltem pulgas, que vós nunca sereis humanos. #8 Olhem, mas não vejam. Que o horror nunca vos toque as pupilas. #9 O espaço é todo o espaço do Mundo. Mas o tempo é o fiel das almas. #10 Sem a desgraça como poderíamos aprender a ser felizes? #11 Gentil alma, não t'evoles, que ainda não chegou o teu tempo. #12 O Ser, sem saber, é ditoso? #13 A matéria toca-nos de muito perto. #14 Será a natureza do enigma o horror e o medo? #15 Embalamos a vida com todos os cuidados. E, no entanto, somos nós que por ela somos tidos. #16 Interrogação lapidar: Se eu não existisse, ainda haveria Mundo? #17 Mesmo qundo todas as palavras forem ditas, ainda poderemos escutar. #18 O Sol é uma alegria de luz ou o horror da claridade? #19 Vivam, mas não em contemplação. Para que o tempo vos não ultrapasse. #20 Se trabalhais de Sol a Sol, podeis viver durante a lua? #21 Jamais digas a Palavra Final. Pois, quem te garante que, uma vez proferida, não termina também o Mundo? #22 Uma criança brinca e um velho morre. Que tristeza quando os termos se invertem. #23 Nunca prometas, para que o Destino não contrarie as tuas honestas intenções. ![]() ![]() |
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