Esconjuro
Que passos de gigante te levem para longe destas terras devastadas.
Que os ventos cortantes do Norte te fustiguem as faces. Que o Sol do meio-dia te torture e te seque a boca, que os rios recuem à tua passagem e que as fontes se inquinem, para que, sedento, não encontres onde beber. Que alcateias te persigam e uivem na noite sem estrelas e sem lua, para que te desorientes e te percas no caminho e para que temas o cerco dos espíritos malsãos e que apenas contes com a vã protecção de saber que, mesmo as mais perversas almas, se coibem de com a tua privar, pois ela é, de todas, a mais impura. Que as piores catástrofes que já foram dadas a conhecer à humanidade te atormentem e que os deuses divisem para ti novas hecatombes, que só poderão falhar por defeito, porquanto, se não há execesso que não tenhas cometido não há excesso de sofrimentro que te não seja apropriado. Se, por ventura, por tua tão grande ventura, pereceres na jornada, fica ciente que, se nos céus justiça houver, o teu corpo insepulto permanecerá exposto aos elementos, menos impiedosos do que tu foste; porém, manter-se-á incorrupto porque nem os abutres, nem os chacais, nem as hienas e nem os vermes, por asco, ousarão decompor a tua imunda carcassa que, para todo o sempre, ficará patente aos olhares do mundo como monumento ao teu opróbio. ![]() ![]() |
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