Tempus Fugit
A juventude é tempo já ido.
Foi-se o viço, Ficou o derriço. ![]() ![]()
Litania da Velha
Pirolitos, olhós pimpolhos
Codornizes, mata-piolhos Joana d'Alba, mulhé chaminé, No telhado do Barnabé Salta, sapo verde-adivinho Ai que cheiro a rosmaninho Estratosférreos constrangimentos Vinde a mim queridos lamentos Prá merenda já vens tarde Entra, ainda, sem alarde E a noite cai pé-ante-pé ![]() ![]()
Finórios
Olhó finório
Que do amor ilusório É o mestre. Incontestado. (com seu bigodinho, o fatinho riscado, o cabelo reluzente, bem penteado, e sem esquecer o sorriso malandro, tão disfarçado) É a perdição De qualquer costureirinha A que deite a mão. ![]() ![]()
Traição D'olores
Recendia a rosa
Mas, alertai o jasmim Qu'essa bela amorosa Fugiu c'o alecrim O jasmim indignado Revolveu tod'o jardim À procura do culpado (o infame alecrim) A rebate as campainhas Borboletas, joaninhas Funesta a fúria d'amor Mesmo vinda d'uma flor ![]() ![]()
Poema das Horas
Ao pequeno-almoço: um tremoço. O almoço, o almocinho Aduçado com mel e regado com vinho. Já a merenda Vem na senda Do apetite do rei e do pedinte. É o jantar, há que Folgar, dançar e pular C'a ceia está a chegar Foi-se a ceia Vamos deitar Pr'amanhã recomeçar. ![]() ![]()
Los Ojos
Minha luz são teus olhos
Dois focos intensos, imensos, Que não s'acredita que vejam, e nem precisam, Pois deles brota constante o vero entendimento. ![]() ![]()
(s/ título)
Sete estacas
Cinc'amores Três donzelas que fervores ![]() ![]()
O Caldo Entornado
Não me levem a mal,
mas não há sopa no quintal. Há talvez um Juvenal que (repimpado) lê o jornal: «Bombeiro assassinado frito cozido assado escalfado ou, tão só, afogado na sopa que, afinal, está no quintal». ![]() ![]()
(s/ título)
Verga-se a luz à vaga'sperança
Sempre o Sol, que pouco dura C'oa tez morena, a alma pura Languescendo nos jardins Vastos Frescos Frondosos E belos da loucura ![]() ![]()
Primavera
Tantas rosas, tantas flores
(«de todas as cores, no jardim de mes amores»). Mas, a beleza fenece com um olhar. Bem o sabeis, o tempo tudo apaga limando, limando com a força das asas de um anjo. ![]() ![]()
(s/ título)
Humilíssimas as creaturas devotas de Deus Nosso. Humilíssimos, tambbém, os sonhos e aspirações de Seus seguidores, humílimos em sua infinita finitude. Humilíssimas, ainda, as outras creaturas da Creação, pois o orbe é pó entre as estrelas. ![]() ![]()
(s/ título)
Se quero dormir, não durmo.
Se quero viver, não vivo. Se quero amar, não amo. Se quero respirar, por vezes, não consigo. Mas, se chamar, alguém me responde? ![]() ![]()
(s/ título)
Agitam-se freneticamente. Freneticamente s'agitam, batendo suas asinhas. Batendo suas asinhas em frenesi anímico, em torno da Luz. Corretio. Em orbitando uma qualquer luz, não a capitular Luz, já que a exacta natureza da fonte d'iluminação de pouco lhes importa. Pois é no puro, vibrante revoltear que se cumprem. ![]() ![]()
Poema das Cores
Tinto lhe disse.
Branco soou. Azul lhe pedi. Só verde amargou. Em vermelho enrubesci. Mas respondeu a cinza Do que já se finou. ![]() ![]() ![]() ![]() ![]()
Aparição
Dois aparos sem amparo
Encontravam-se pra conversar Maldizendo a esferográfica C'os deixou a mendigar ![]() São os tempos modernos Ninguem pára pra pensar Muito menos pra escrever Deixando a tinta escorregar ![]() ![]()
Fala O Primeiro
Volição da luz ao barro primevo.
Não sendo ainda o tempo [ da dialogação, de sombras havemos muito, umbrando, (repetimos), umbrando nossa presença. É mingua de Ser, aí ou noutro lado, que o resto - e sempre fica um resíduo - é um sem-sentido só. ![]() ![]() ![]() ![]()
(s/ título)
Em todas as alegrias
E em toda a tristeza Há uma mão invisível [ que nos toca Suavemente ou com abrupta [ fúria Empurrando-nos para o Abismo. ![]() ![]() ![]() ![]() ![]()
Encontro D'Improviso
Uma rapariga, concreta,
E um rapaz, abstracto, Encontraram-se à esquina E foram tirar um retrato. ![]() ![]()
Ulisseia
Tanta força, tanto esmero, a rondar o desespero. Salta, não salto... Só se fosse, um saltinho... que um pedacito d'abismo não iria fazer mal a ninguém... apenas para ver como é... sentir-lhe o gosto, e sair muito antes do desgosto... um saltarico ou nem tanto... um pulinho de pulga, ou menos...
(é claro que não há só um pouco d'abismo. Ou se anda dentro das linhas da razão, da boa, ou talvez não, ou então sobrevem a queda, irreversível e total, uma vertigem sem remição rumo à abissal dissolução). ![]() ![]()
Olá
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Intensintenção
Pro-po-si-ta-do, tudo é, pro-po-si-ta-do. ![]() ![]()
(s/ título)
Sete naus com sete sonhos partem ora, zarpam já.
A primeira vai pra Coxim, busca pós de perlimpimpim. A segunda naufragou, c'um grande peixe a tragou. A terceira tod'impante, cheia d'ouro & diamante. E a seguinte é dum requinte... enche olho de rei, ou de pedinte. Já a quinta veleja asinha: leva um espião da Rainha. Temos a sexta só pra constar, c'oceano é verde-mar. Apenas da última não há memória, pois não coube nest'história. ![]() ![]()
Tropelinotas VIII (extra-catálogo)
«Isto é coisa que cerveja?» Interrogação enfática, mas não sem empáfia. Contudo, pedi uma sandes com tudo... e claro, uma cerveja. ![]() ![]() |