29 setembro 2005
Um Verdusco
23:19 | 0 Comentários

(s/ título)
21:23 | 0 Comentários

Ron
02:03 | 0 Comentários

O Homem-Aspirador
00:42 | 0 Comentários

Voigt
00:10 | 0 Comentários

28 setembro 2005
Palhaço
23:53 | 0 Comentários

Sailor
23:35 | 0 Comentários

Bzu
23:28 | 0 Comentários

(s/ título)
23:00 | 0 Comentários

Linox
20:11 | 0 Comentários

"O ar nã está para pêxe."
20:01 | 0 Comentários

Pouco Breve Cumprimento Seguido de Suave Reprimenda a Alguém Há Muito Não Visto
Salvé, em boa-hora ou em era má, o que interessa é que, em aparecendo, vos poderei falar, coisa que, a bem dizer, não parece ser corriqueira, pois vós, para o bom e para o mau, sois alguém difícil de topar, como, aliás, tem acontecido que vos não via há tempos e tempos que nem me recorda o estado do mundo aquando da última vez que convosco privei.
19:58 | 0 Comentários

(s/ título)
19:32 | 0 Comentários

Ex-Voto
Sempre atento ao desgaste das coisas, finalidade o mais ociosa, premiciei sempre que nada se manterá por muito, debalde o esforço dos nossos melhores e a tenacidade das almas gentis que insistem em travar a entropia que nos sufoca. Digo que deixemos o corroer do tempo operar a sua acção livre de entraves, digo até que o poderemos ajudar rumo à aniquilação final. Enfim, sejam as coisas o que são, cumprir o que é, e o que é, é o Nada.
17:24 | 0 Comentários

27 setembro 2005
Proclamação
Furto remorsos à vera verdade, nem a ciência ousa lobrigar tão vastos abismos. Hemos órfãos, o prematuro decesso dos Santos Pornógrafos deixou-nos sem orientação. Não hemos ceder ao desespero, hemos força, hemos as nossas convicções. Forjaremos uma Ordem Nova. Juntos, no contributo do que de mais precioso houver, sem furtar a alma aos rancores, sem alívio para os ímpios, hemos a proclamar o Manifesto Pornoclástico. Que este dia em será na memória vindoura, como de pedra, imagem do Início.
22:53 | 0 Comentários

(s/ título)
Que força será na dança que nos dá a emoção de uma andança de alma direita ao coração?
Que forma tem o mundo nesta desilusão, será a bola redonda ou o quadrado de uma prisão?
Que o sonho em transmigração será uma viagem fantástica ou mera epifania dentro de uma ilusão?

Eis as questões dum poeta, que joga co'as sensações como berlindes de vidro vogando plo espaço em mil cintilações.
16:49 | 0 Comentários

26 setembro 2005
(s/ título)
Toca a Fama a quem a quer ou toca a Fama a quem a pode convocar? Mesmo a Fortuna, irmã inseparável daquela, é conhecida pela sua natureza caprichosa. Poupai-vos, por isso, ao desejo de as ver consagradas a vós. Elas são tão volúveis quanto belas parecem. Esquivas como elas só. Se por vossa grande ventura vos baterem à porta, deixai-as entrar, mas não coloqueis obstáculos se quiserem sair, nem guardai rancor aos novos eleitos. Eles terão o mesmo destino que vós pois nunca ninguém as desposou. De resto, é consabido que a felicidade não se encontra nos momentos delirosos mas na paz e suavidade dos ínfimos instantes.
23:20 | 0 Comentários

A Evidência
Sempre a dinâmica inesperada do destino seja lá o que seja isso, o destino, nos apanha nos momentos mais inadequados. Diria mesmo que o timbre do destino é aparecer assim, de chofre, nos momentos mais inadequados. Nada a fazer, dizem os fatalistas, havemos de combater o nosso fado, os idealistas, o que é ainda outra forma de loucura.
Mas sendo as coisas como são e não o que deviam ser, é de notar, que esse dever ser é pecha do ser humano que constantemente se reinventa, sem nunca se ater à sua natureza.

É por isso que nós, as formigas, havemos de os derrotar.
22:40 | 0 Comentários

(s/ título)
Capitulemos, não capitulemos, pouco interessa, está fora de nossas mãos, embora mãos não tenhamos, mas dois cotos em tenaz. Nem as razões que nos assistiam são lembradas, há muito qu'isto dura, tanto que a memória não ousa alcançar tão arcaicos motivos.
Não queremos com isto dizer, que não haja ainda assuntos importantes, que exigem a máxima concentração. Subsiste a Estratégia, como ciência-mor destes nossos tempos. Assim como a Disciplina, pois somos em permanente alerta e, como sabeis, não podemos contar com a visão pois olhos não temos. Aliás, os mais ociosos ainda discutem se foi a escuridão que permanentemente se instalou ou se foram os globos oculares que definharam com os fumos tóxicos. É mais do que evidente a irrelevância do assunto, tacteando o terreno topamos os alvos que abatemos à paulada ou com as escassas armas brancas que ainda se puderem encontrar. O problema é, quando feridos, não podermos contar com ajuda, e tormentosos são os gemidos dos moribundos que constantemente ecoam pelo teatro devastado.
Não lamentamos este atroz destino, não queremos questionar a Regra e não objectamos que matar e morrer em Santa Agonia são as mais gloriosas ocupações que nos foram legadas. Apenas nos sentimos por vezes sucumbir ao apelo obsessivo das evocações ou, quiçá das herdadas memórias, de algumas cores, de um frescor de fim de tarde e de um olor florido, que permanece vívido em meio dos vapores sulfurosos que nos oprimem.
Consciente da impiedade destes pensamentos, agradecemos a oportunidade de sermos em breve enviados para a Frente onde nos iremos cumprir em suma glória, libertando-nos finalmente pelo sangue destas incríveis veleidades poéticas.
22:35 | 0 Comentários

Dedus
22:31 | 0 Comentários

(s/ título)
Olhar a imensidão do Estio
O corpo de água e vazio

Na maré que sobe c'o luar
Nus fomos nadar

E a Lua veio indicar
O caminho pra regressar

Reveses da sorte
Chamam a morte

Guedenha guedanha de mar
Foi-se pra não voltar

Mas a sombra é alma
No remanso da calma

Da espera sem rosto
Ao Sol de Agosto

Que venha a Dama do Mar
Louca pra nos abraçar
00:19 | 0 Comentários

A Formiga Anacleta
Era uma vez a formiguinha Anacleta, que não queria trabalhar.
E todo o santo dia pensava em cantar.
E passear.

Era uma formiguinha infeliz pois não se conseguia adaptar.

E foi expulsa do formigueiro por muito andar a preguiçar.

Lá se meteu ao caminho, pobre formiguinha, a bom chorar.

Depois de muito caminhar, Anacleta, viu um papa-formigas a passar.
E, correndo grandes perigos, o formigueiro foi avisar.

As irmãs formiguinhas nem queriam acreditar.
Que a triste Anacleta as veio salvar.

E, foi assim, que a formiga preguiçosa passou, desde então, a reinar.
Pois rainha foi coroada porque era a única que sabia sonhar.

A moral desta história é fácil de divisar.
Não seguir sempre os outros pois nem sempre se nasce só pra trabalhar.
Que na vida nem tudo são penas mas também há rir, brincar e passear.
00:05 | 0 Comentários

23 setembro 2005
(s/ título)
Hoje, três ou quatro coisas vos quero dizer:

Cuidai sempre da verve
(escumá-la quando ferve)

Rapai bem o cabelo

Por causa dos piolhos que são bichos
Medonhos

Não acrediteis demasiado nas palavras

Só no silêncio e recolhimento
Encontrareis o Senhor

Se houverdes de matar

Cortai fundo e com asseio
Se já tirais a vida escusais de causar
Maior desconforto
21:37 | 1 Comentários

O Estrangeiro
(Viciosa era a peçonha de tão estranha criatura).

Sus, que nós da vossa igualha num somos, nem cremos ser nem queremos ser. Pois que portanto, vária maldade tão lata que conspurca até o ar, e as águas inquinam ao vosso mais ténue bafo. Seja. Se é nosso destino, nosso mal fadado destino, vos ter por vizinho, ficai aí nas orlas, que a nossa aldeia é pequena e convém não assustar as crianças ou, os que de entre nós soem mais débeis, que não é o primeiro infeliz que ensandece ante a vossa presença. Assim como assim, vos pedimos que saia só após o crepúsculo, que nós por cá nos encarregaremos de ter as casas fechadas e vedadas. Podeis passear à vontade e o tempo que vos aprouver, desde que nas horas em que o Sol não alumia.
Quanto à água e à comida, não vos preocupeis. Terá, todas as alvoradas, à porta da sua habitação (não ousamos chamar-lhe casa) o necessário ao vosso sustento. No mais, não nos procure, não nos olhe e (se possível) não nos ouça, queremos nós que a vossa vida e pois que, por consequência, a vossa estada seja breve, tentaremos (no possível) esquecer que vós existis, e, como medida de precaução, quem vos enviará as vitualhas será o mais pobre e o de mais baixa condição de entre nós, para que (se é que tal é possível) os demais se não contaminem com as vossas emanações.

Somos um povo forte, há muito que aqui estamos. Saberemos suportar mais esta provação.
21:14 | 0 Comentários

Hino Libertino
Só vendo alegria, só empresto gratidão, paguem juros de saudade descontando a solidão. Só oferto beijos doces, só ofereço redenção a quem, em pleno Maio, arrancar o coração. Só alugo companhia, só arrendo emoção, quando vejo sintonia c'o mais pura fantasia da santa devassidão.
21:08 | 0 Comentários

"Oi"
01:34 | 0 Comentários

Mandam Saber
Bateu à porta o freguês do
Quinto andar
Lívido, espavorido,
Aterrado, transido
que começou por dizer:

«Está lá em baixo
a D. Filosofia
Que manda saber
Se é aqui que mora o Ser»

Disse-lhe sem demora
Que o Ser já cá não mora
Que aqui só vivem entes
(Uns sãos outros doentes)

E já ia a descer
Quando o chamei
(Pois, de repente, me lembrei):

«Espere um momento,
Vou telefonar à prima
Da Filosofia,
A D. Espistemologia.»


Logo lhe liguei:

«Olá como está,
está bem?»
«É a sua prima,
Manda saber
Onde é que está o Ser?»

Respondeu que não sabia
Só perguntando à filha:
A menina Ontologia.

Mandei um paquete
A perguntar,
Com ordens
Para não demorar.
-Rápido o rapaz
Foi entregar o bilhete-

Quanto à resposta
(já o previa):

«Patrão, disse a Miss Ontologia,
Que não, não o sabia».
00:47 | 0 Comentários

Poemário
Um belo dia
(de noite)

Depois do banho,
Comecei a escrever Poesia

(que mania)

Sem saber, o como, o por que ou o porquê
Repito, itero, admito
Comecei a escrever Poesia.

Mas sempre
Depois do banho:

Poemááááááááááááááaaaaaaaaaario
00:30 | 0 Comentários

21 setembro 2005
Dos Dias Em Sonho
Hoje, dia nunca de vária sentença no acontecer e sóis em líquido e fusco em fumo e em musgo, serena, serena que há de passar, a lua é nova, acabadinha d'estrear.

Mas, tais caminhos são agora que é chegada a hora, pela terra, pelo mar, eis finalmente, o

despertar.
18:52 | 0 Comentários

Dueto
18:48 | 0 Comentários

20 setembro 2005
Filósofo de Café
Enquanto sorve seu cafézinho pensa, cogita, reflecte e medita. Pondera, analisa, pass'a mão pla testa e pla camisa.
Avalia, reavalia, contra-avalia. Aprofunda ainda o assunto, puxando pelo bestunto.

Mas, depois do cigarrinho, quando sai, devagarinho, deixa a meditação, muito bem dobrada, em cima do balcão.
23:49 | 0 Comentários

(s/ título)
21:48 | 0 Comentários

19 setembro 2005
Poema Estradal
Caracol caracoleta
Vai depressa
Mas vai sem cheta

(com sapatos bugatti ganhe asas nos pés)

Uma rotunda é uma
Bunda
Que nos leva em rebolão

Plim Plim Plim, o plástico nunca se acaba

Andai andai senhores
Humildes e doutores
Todos somos
Condutores
22:10 | 0 Comentários

Um Lindo Vestido Colorido
21:58 | 0 Comentários

Está à vista: é uma lista
- vinte mil vírgulas que marcam encontro num dicionário;
- um automóvel à procura das rodas, num parque de estacionamento para pulgas;
- a vontade de cair para cima, até bater com o nariz numa nuvem;
- um enxame de nêsperas e a vaidade de um pêssego; careca;
- o jasmim enfeitado de circo;
- duas botas pra três pés;
- uma girândola faminta;
- uma queimadura de lua;
- e a fresca chuva de fel ao entardecer.
02:32 | 0 Comentários

Poema da Ordem Certeira
Poema da Ordem Certeira
Poema da solidão
Não é uma coisa ligeira
É escrito em oração

Janelas, caixilhos e portas
Para a imensidão
Orai às Santas Retortas
Do basto licor amargo
Da nossa consumição

As velhas já falam com dó
Dos filhos desta Paixão
Perdidos na vida sem rumo
Vogando em espiras de fumo
Buscando a paz do perdão

De luz e de sombra são feitos
Os mantos da Devoção
Ao Anjo demos o nome
De Santa Destruição

A vida já não é vida
As cores baças serão
Se não tivermos na morte
A esperança de outra sorte
Que o olvido da negação
02:22 | 0 Comentários

Fosse Fácil
Fosse fácil
Eu te dizia

Fosse dócil
Eu já sabia

Fosse santa
Pra eu rezar

Fosse louca
D'internar

Fosse lesta
Em um olhar

Fosse lenta
Pr'esperar

Fosse luz
E era azul

Fosse água
E era fonte

Fosse terra
E era monte

Fosse amor
E eras tu
02:09 | 0 Comentários

(s/ título)
01:57 | 0 Comentários

15 setembro 2005
Da Severidade & Da Lei
Severidade, apanagio dos poderosos, que os fracos, os pobres, os oprimidos que remédio têm senão abraçar a suavidade da resignação. Olhai, aquela Autoridade Na Matéria a ser exigente, implacável em seus doutos juízos lapidares. Já se esqueceu que, quando jovem, também nada sabia e quando criança tropeçava como os demais. É, ainda possível, que de tal nunca se tivesse apercebido, que se desenvolvesse naquele percurso ascendente de quem é bafejado pela fortuna de ver os seus planos concretizados sem grandes escolhos. Dessa forma, chegado o reconhecimento, de que nunca duvidou, foi-lhe possível exercer sem entraves a íntima vocação de esmagar com sua sapiência os que, pelo direito do infurtúnio, lhe são (oh, como são) infinitamente inferiores.
22:44 | 0 Comentários

(s/ título)
São loucos, muitos, aliás, enlouqueceram ao tentar essa vã tarefa, que, inevitavelmente, sai e sairá sempre gorada. Mas, também se não consegue evitar a empresa. Como impedi-lo? Seria tão impossível uns impedirem os outros de empreender tais tentativas como o próprio ensejo de tentar. Contudo, entristece-me constatar cada novo fracasso mesmo quando não traz consequências de maior. Consternação que pouco a pouco se vai transformando em inquetação e revolta, o que me leva a acreditar, que dentro em breve também eu, uma das últimas almas sãs, irei tentar a Busca Definitiva da Palavra Redentora.
22:32 | 0 Comentários

(s/ título)
Ouve, tudo se aquietou, nem vestígio do fragor da batalha atormenta o espaço silencioso, como a espera de quem desespera e já nem tem, e já nem tem forças para gritar. Bem sei que neste cenário, tudo te parecerá amplificado, os teus sentidos iteram um vulgar não pode, não deve ser, não deve poder ser, mas é. Claro, ouve bem, claro que é, tens de respirar fundo e aguçar os sentidos, deixar penetrar tudo o que se desenrola suave, suavemente, diante de ti. Sei que não é fácil, por isso te ajudo e te hei de ajudar com estas evidências até que um dia, com o hábito, tudo seja mais natural. Custa sempre mais ao princípio e por isso, quando nasceste, também tiveste quem cuidasse de ti.
22:22 | 0 Comentários

Denegação
Nega, nega, lua nova, cega rega, outra cova, nega cega, nega sova, nega, nega e pede a prova, nega e nega sempre nova, nega, nega, nega a cova, nega, nega, nega a prova, nega nega até à cova.
22:17 | 0 Comentários

Litania
Coisa vaga, vaga alterosa, neste pouco pedaço de prosa. Torre vã da chama ingente que não queima mas que teima, sempiterna e refulgente.
Ou por outra ventania, sofre o mocho que já nem pia. Todavia, piava, ó lá se piava, a horas certas, a horas esparsas, sempre vendo todas as farsas.
Das gentes que se afanam, inconscientes da vaga, da chama, da torre e do mocho mas não da ventania que pla noite, pla inúmera noite, assobia, assustando até a alma mais fria.
E quando cinges nos braços aqueles a quem amas, não entendes que o vento clama pela vaga, o mocho, a torre e a chama.
20:18 | 0 Comentários

13 setembro 2005
D. Albino, retinto de raiva, deu um murro no guichê e perguntou: porquê?
Se sou Albino das Neves porquê a confusão, nesta repartição, c'o meu nome de cristão?
Disse o funcionário, displicente: pois fique bem ciente que são ordens do doutor, o Senhor Conservador. O qu'ele diz é pra cumprir e até Deus pode cá vir que não muda uma vírgula! O que ele disse está falado e o auto fica lavrado pra não mais ser alterado. O seu nome agora é outro, mas esteja descansado qu'ele fica bem guardado pois já está registado.
Sendo assim admoestado, Albino saiu derrotado. Mais nada podia fazer e nem qual nome ou apelido que pra ele foi escolhido lhe quiseram dizer.

(Que, de resto, jamais chegou a saber).
00:44 | 1 Comentários

Flooop
00:40 | 0 Comentários

Mr. Zing
00:34 | 0 Comentários

12 setembro 2005
Ladainha
Nem sempre de diabos se faz o gato, nem sempre a alma de quem lá está, lá fica, seja boa, seja má, as nuvens, úberes de chuva, serão cinzentas se negra for a nossa disposição, ou, então, da água nascerá o perdão, o que se diz nem sempre é, nem o que é, é dizível em totalidade, fica sempre algo por dizer, e quem diz sofre por isso e quem ouve por isso lamenta, pior seria se se dissesse a palavra final.
12:52 | 0 Comentários

E, com infindo langor vos digo que deveis deixar a buliçosa existência para os outros. Entes da vossa estirpe não devem participar no fragor das batalhas, travadas com que propósito?
A imobilidade é o que vos convém, escolhei uma alta pedra no monte, ou, uma coluna de tanto por tanto na base e no topo e aí permanecei, fazei dela vossa morada, olhai o céu rarefeito com olhos desorbitados, e agi no conforme com todas aquelas coisas que soe fazer-se em estando na condição de vero asceta.

Garanto-vos que se não hão de arrepender.

Quando a carne se desprender da ossatura, vós estareis libertos para vogar pelas dimensões (infinitas e etéreas) do que é. Peço-vos, apenas, que vos lembreis de mim e de vez em vez me agracieis com a vossa presença nesta lúgubre torre onde a maldade dos homens me logrou encarcerar.
12:37 | 0 Comentários

Um Cabaret De Luz
02:59 | 0 Comentários

(s/ título)
02:49 | 0 Comentários

A Fé
00:00 | 0 Comentários

11 setembro 2005
(pensa tarecos)
É sempre tamanha alegria ver todos estes passarinhos aqui reunidos no largo frente a minha casa, trinando, esvoaçando, bebericando a água da fonte. À noite descansam nas árvores e durante todo o dia vivem febris e despreocupados derramando a sua algazarra caótica pelo ar oloroso da Primavera. O meu coração rejubila ao vê-los.
Rejubila ao vê-los imaginando já o dia do estio em que pelo calor ou descuido alguém deixará a janela aberta. Então, eu poderei saltar da janela ao seu encontro.

Antegozo o salto e o momento em que poderei cravar as minhas garras e as minhas fauces na carne tenra e assustada da passarada.
23:56 | 0 Comentários

Flux
23:41 | 0 Comentários

(s/ título)
Beluga, Sevruga, Tartaruga. As coisas belas da vida. O ar, mais ou menos rarefeito da manhã. Um gato não faz som. Inomatopaico. Pássaros esvoaçando. Canções de ninar. Beluga, Sevruga, Tartaruga.
Um beijo ao acordar. As coisas mais belas da vida. A liberdade de pensar, no pensar, pensar ao passear. Cantigas de roda. O som da lenha, cre-pi-tar; Beluga, Sevruga, Tartaruga.
23:37 | 0 Comentários

Meia-anfisbena
Isto de ser bicéfalo não é tão fácil como parece.
É, antes de mais, necessário que ambos nos entendamos, o que, parecendo óbvio, por vezes é difícil. Se um quer ir para a direita e o outro para a esquerda, se um quer subir e o outro teimosamente se recusa. Ora, eu tenho medo de alturas, sou tímido e prefiro mil vezes ficar quieto no ninho. O meu irmão é vivaço, temerário diria, arrasta-me tantas e tantas vezes por percursos cuja simples memória me faz estremecer. Mas o pior são as porcarias que ele come e, como partilhamos o mesmo estômago, tenho de sofrer as terríveis e demoradas digestões, enquanto que uma alimentação frugal nos deixaria leves e bem-dispostos. Não é fácil, vos digo, mas, apesar de tudo, gosto dele. Nas noites de Inverno contamos, um ao outro, as nossas memórias que sendo comuns têm dois pontos de vista. Olho-o com ternura e adormeço sereno a pensar que, aconteça o que acontecer, ele nunca me abandonará.
23:31 | 0 Comentários

«Quem me dera ser pirata...»
«...E viver o dia-a-dia no convés duma fragata.»
10:58 | 0 Comentários

09 setembro 2005
(s/ título)
Puri muri caça-violas, nunca acertas ó zé tolas. Cata mata cata bichinhos, daqueles muito daninhos, ou, então, caça estorninhos, com caçadeira ou pistola de pederneira, arranca cabelos pulgas e pêlos que cabelos pulgas e pêlos nem vê-los mas, aos peixes, deves cozê-los pois são tão bons, com grelos. Nem interessa ao que vai, ele que fique que se o pai, que está em Manique, sabe, dá-lhe um chilique.

Não digam que não se avisou, por quem é? Ah, sim? Eu também sou.
22:23 | 0 Comentários

Obispo
22:03 | 0 Comentários

Uig
21:59 | 0 Comentários

08 setembro 2005
Inventário Sob Protesto
Vejamos, caros amigos, o que se pode ainda salvar de toda esta evisceração. Não que não haja vantagens em andarmos mais levezinhos. Pois que nós, puros seres imbuídos de etérea espiritualidade, não temos, por aí além, precisão destas incomodatícias entranhas que por tantos e tantos séculos carregámos, sabe-se lá para expiar que ignotos pecados. Mas permanece como indiscutível o facto de se não dever expropriar os viventes dos seus orgãos, sem antes perguntar primeiro. É elementar medida de cortesia e demonstra o mais ignóbil desrespeito pela propriedade privada, sublinhando até, o aspecto privado da propriedade, na medida em que pouco há de tão íntimo e por conseguinte privado como a nossa carcaça, mesmo que carcomida e bolorenta como ela só.
16:25 | 0 Comentários

Urf!
01:27 | 0 Comentários

Issel
01:25 | 0 Comentários

Mais Vale Selo que Parecê-lo
01:17 | 0 Comentários

06 setembro 2005
Da Arte de Verdejar
Rendilhando no canto e no pranto
A mim, meus amores, desamores,
meu tormento e desalento
O ritmo só dura um momento
Mas dá ao verso
temperamento

Quem dera haver algo a dizer
(Que não este estribilho
verde-milho)

Quem dera poder fazer
ou não fazer
Algo de primordial
Sem cuidar do bem e do mal
Com a liberdade original
Do homem natural

Vivendo neste sendo
Desviado
Da pura verdade
universal
Sentindo um amargor
visceral
Que nunca será anulado
Pelo som do poema ritual
17:01 | 0 Comentários

05 setembro 2005
Zum (homenagem a Jack Kirby)
18:05 | 0 Comentários

Whoop!
18:02 | 0 Comentários

Cabisbundo & Meditabaixo
17:43 | 0 Comentários

02 setembro 2005
post scriptum
E se, na sofreguidão das horas, se esquecer o essencial?
17:44 | 0 Comentários

Depresssssaaaa
Escreve escreve escreve depressa, não há tempo a perder, ao tempo que foi o tempo em que havia tempo, agora já não há, tempo, escreve depressa antes que acabe o tempo que urge, o tempo, corre mais do que um corcel em grande tropel, o tempo, escreve depressa, que se acabam as horas os minutos e os segundos, que tique que taque, e já passaram uns quantos, segundos, que se vão juntar aos demais, que já passaram e que estão à espera, impacientes, cientes, porém, que muito não faltará para que os seus apressados irmãos a eles se reunam. Mesmo as horas, mais pachorrentas, passam, caladas pela calada, até ao último grão, desta grande ampulheta, de tamanhos diversos, com destinos dispersos, que é a vida, comprimida contra o vidro elegante da passagem do tempo pela garganta estreita da eternidade.
15:33 | 0 Comentários

01 setembro 2005
Cinco Notas de Um Diário
#1
Tudo bem seria na constelação das coisas, não fora esta inermitenciazinha no estar. Hoje trabalho, amanhã ocío, farrapo sem préstimo. Agora faço, logo desfaço, com um cansaço derriçoso. Enfim, niilista assumido vou sendo consumido pelo tormento do fragmento.
#2
O tempo é um corcel que nos desgasta em tropel e o futuro foi ontem. Queríamos tê-lo apanhado, com ele brincado (a manusear com cuidado) mas tão depessa passou, ZUM, já está, nem visto só ouvido, nesse célere zunido.
#3
Os dias claros são para os outros.
Rebolemo-nos na diáfana cinzentude intricadamente ensimesmada da nossa existência tormentosa.
Olhai o céu que se esvai em dourados, porque não olhas o céu que se esvai em dourados?
#4
Um fresco sorriso de jovem contém uma indizível beatude. Se esse sorriso a nós fosse destinado, seríamos tocados pelo sopro do inefável?
#5
O vigor é uma miragem com que não ousamos sonhar. Do desalento, porém, somos mestres, pois que, a todo o momento, encetamos a vã demostração da prodigalidade da profunda resignação.
16:55 | 0 Comentários

Nome: João Pereira de Matos Cidade: Lisboa
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