31 agosto 2005
(s/ título)
Pois pois, gritar pró vazio. Assim, a força do nada que esmaga num silêncio de abandono. Sem rumo e sem dono, aceitando as esmolas da consolação que são três abelhinas trabalhadeiras no esgar de um zangão. Não sei o que digo, nem porque sim, nem porque não. A vitória soará, olá se soará, um zumbido aterrador, pulverizando com o calor de mil sóis. E a fúria dos mansos atroará esses ouvidinhos delicados, que só ouvem a suave voz dos seus umbigos, tão fundos que será necessário o cataclismo para espaventar as sombras. Mas, enfim, não será esse um fim à medida de tão tolas alminhas, coitadinhas, estúpidas como elas só?
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(s/ título)
Pobre molosso, só queria um osso pró almoço, c'a vida pesa, e o seu tamanho, o seu enorme corpanzil, não é mais que um estorvo na idade senil. O seu pêlo já não reluz, nem seduz o seu ar estafado, batido, combalido, arrebentado. Ainda vai vivendo, à força de um alento que é a espera do momento em que descerá dos céus a redenção dos bichos. Uma névoa de luz que o levará pla trela até à estrela mais bela.
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29 agosto 2005
Dois Tostões
A vida, que engraçada, do muito se fez nada, o sonho uma veleidade, esmagado pla realidade, o amor uma aventura, derramada em ternura, a idade, em provação, que explode o coração e o corpo, que só quer saúde, destrambelha-se amíude.
Então, a Filosofia? Ai que grande, grande mania.

Mas se, com uma vontade tenaz do pouco muito se faz, um pedaço de calma leva a alma, até Almeida.
14:01 | 0 Comentários

28 agosto 2005
O Vira d'Irumeu
19:51 | 0 Comentários

A Nau
18:59 | 0 Comentários

aboa aboa (joaninha)
18:56 | 0 Comentários

(s/ título)
18:52 | 0 Comentários

Pio XXIII
18:47 | 0 Comentários

Nôno
18:45 | 0 Comentários

A Malta
18:40 | 0 Comentários

26 agosto 2005
Poema do Bem
Haja alegria e sorte afastemo-nos da morte haja Sol e luz renegai a escuridão haja paz no coração fuge fuge solidão haja cor muita cor em muito amor ao próximo e ao distante que só aqui estamos um instante e não há tempo para odiar mas apenas para beijar e perdoar haja beleza que a aspereza do feio arranha a alma que só necessita de calma para a contemplação do belo na Criação haja brinquedos para as crianças que muitas nem são crianças mas espantalhos doentes mendigos indigentes haja pão haja fartura que a vida pouco dura haja riqueza lutai contra a pobreza haja boa vontade que todos os males do mundo são obra da maldade que se passeia impune por entre a humanidade.
12:55 | 0 Comentários

Os Tolos
Quem s'importa quem me diz quem me fala desta vida deste ser que se não cumpre mesmo que se tente a sorte se desafie a morte sem nada acontecer nas malhas que o tempo tece num afã sempre a correr e pobre desolado passo a vida amordaçado cabisbaixo sempre calado que a nova pena dos homens já não é o proibir é apenas não ouvir que todos falam e ninguém escuta estão imersos na labuta de soar mais alto e mais forte até rebentar o pulmão que o ego dos c'aqu'estão é toda uma imensidão ficando na solidão de berrarem ao vento cada um o seu lamento?
12:30 | 0 Comentários

Oh, a minúcia, coisa terrível e preciosa
O ponto final, aqui está bem mas acolá está mal. A vírgula, flutua ou não flutua, ao sabor da semântica ou da estrutura formal do edifício gramatical? Porém, quanto ao ponto e vírgula temos muitas reticências: há que usá-lo com cuidado para não ficar deslocado, é híbrido e complicado mas, como ninguém faz caso, colocam-no ao acaso. O ponto d'exclamação com a empáfia d'ocasião, tem a postura de um militar, no aprumo do pelotão. Se dissermos que a interrogação, em permanente perplexidade, tem a figura da ansiedade de quem nunca sabe a resposta, não andaríamos longe da verdade. Mas não dizemos tal banalidade, pois não responde à questão: será o ponto de interrogação um grandessíssimo aldrabão, ou doer-lhe-á a barriga de tanto perguntar em vão?
11:08 | 0 Comentários

25 agosto 2005
La-Di-Dá
Lá, lá da-dá ladadadá (tumb, tumb, tumb), u-u-lá-dadá, yey, lá-dadá ladadá, yey yey ladadá, lha'dá ladadá-dá (tumb, tumb, tumb); boing-qui-qui-boing, boing-qui-qui-boing-boing lá da-da ladadadá (tumb, tumb, tum [n'tchi n'tchi]); boing qui qui n'tchi boing lá-da-dá ladadá ladadá lá-dadá dá (tumb, tumb, tumb), qui qui boing yey.
12:44 | 1 Comentários

O Esteta Vai à Horta
Que viçosas estão as verduras, que belo está, o pé de feijão, as batatas e o rosmaninho, ai que cheiro a azevinho. Ali ao canto, à beira do tomilho, estão as galinhas à cata de milho. Entre a hortelã e o agrião, as rosas que frescas são.
Tanto verde e tanta luz, tanta paz qu'isto induz e c'apetite, que fomeca. Vai ser um belo repasto... Depois da minha soneca.

(e, à digestão, um grande passeio pla região)
11:20 | 0 Comentários

24 agosto 2005
(o que via)
Quem havia de dizer que eu, depois de tantos séculos, ficaria assim tão míope. Não adianta sequer argumentar que é uma condição comum de fácil remédio, bastaria ir ao oftalmologista que me prescreveria uns óculos.
Aqui não há, evidentemente, oftalmologistas, mas não me custava nada atravessar o mar até ao continente. Assim como assim, mesmo nas suas zonas mais profundas, a água não me sobe além dos tornozelos... O que eu pergunto é, onde vou arranjar uns óculos para todos os meus olhos, pois eu sou Argos aquele que tudo vê, corretio, aquele que tudo via...
21:50 | 0 Comentários

«pois seja»
21:13 | 0 Comentários

(s/ título)
Neurose por osmose qu'esta vida é uma necrose, da alma que quer calma, Sol e beleza mas só lhe resta a aspereza da pobreza de existir, sem rumo nem aprumo, mendigando esmolinhas, que seja plas alminhas que lá estão, pois, as que ficam, pra lá irão, na inexorável direcção da última libertação.
14:27 | 0 Comentários

Cantiga do Pescador (ou dos sete setentas)
Sete vidas, sete fogos, sete estacas, sete fôlegos, sete céus em sete esferas, sete dias na semana, sete cores, sete amores, sete serras em sete terras, sete rios e sete mares, sete ventos, sete luas e sete sóis, sete peixes nos meus anzóis.
11:53 | 0 Comentários

23 agosto 2005
ATENÇÃO !
22:07 | 0 Comentários

O enxame
Sorver a espuma da vida com a sofreguidão com que a senhora elegante sorve o seu galão matinal.
Sempre gostámos de observar.
Não foram as cavernas profundas que temos no lugar de olhos e esse desiderato teria sido muito mais fácil de alcançar.
Ainda assim, não nos queixamos, apenas aperfeiçoámos a percepção que temos das coisas.
Apuramos o ouvido e os demais sentidos.
Antenamos as coisas, se é que nos estão a perceber.
Mas isso pouco importa.
O pior é este deserto onde nos encontramos. Infinitamente desterrados.Neste fim de mundo pouca matéria há para investigar. Apenas as vastidões do mesmo se encontram para além desta gruta de que, há décadas, não saímos.
21:57 | 0 Comentários

22 agosto 2005
As Três Irmãs
As três irmãs Avidoor. Todas muito diferentes. Todas muito belas.
Lucinda, a mais velha, de espírito forte e corpo atlético, sabia ser encantadora. Soerta, loira e frágil. A mais nova, Encantor, talvez a mais formosa das três. Também a mais terna, de uma generosidade sem limites.
Além da muito natural amizade que as unia, como raparigas abnegadas que eram, compartilhavam uma forte religiosidade, muito católicas e tementes a Deus.
Havia um outro pormenor em comum: devoravam, não sem algum deleite, o cérebro dos amantes, após estes consumarem o acto. Por isso, na Aldeia, eram conhecidas como as «Irmãs Louva-a-deus».
22:08 | 0 Comentários

18 agosto 2005
Poema do Pouco
Que cansaço, Jesu Senhor, estou presa nest'estupor, sem forças e sem alor. Pouco falo e nada faço, como pouco e nada quero, mexo apenas um pouco o braço pra chegar à comida, que pr'aí fica esquecida.
Fecho os olhos num torpor e peço a Deus, Nosso Senhor, me dê um naco de pão e um pouco do Seu perdão. E ficaria agradecida se, na Sua imensa graça, me levasse já a vida.

(Qu'uma alma não se cansa, é só luz e esperança. É pura energia etérea desligada da matéria.)
14:25 | 0 Comentários

A Vagem
Tenho sede tanta sede nesta terra neste chão, só queria um golinho d'água pra matar o secão. Necessito de beber para mui forte crescer. Verde, linda & viçosa. Dou dois dedos de prosa com a semente do limão, que amarga na boca, dizem todos c'aqui estão. Mas esta sedezinha, não me sai do pensamento, pois bastava uma gotinha e já teria outro alento. Esta terra é tão antiga mas não tem nada que preste, é dura, seca e agreste. Vou crescer muit'infezda, doente e cansada. E com um pingozinho d'água (só um pingozinho d'água) já ficav'aliviada.
10:56 | 0 Comentários

Interlúdio
Puxar pela pinha, desenrascar do bestunto, na procura do assunto. Desse mundaréu que aí está, há tanta cousa a dizer, matéria basta pra escrever. É só olhar em derredor, pôr uns óculos pra ver melhor, e desatar a narrar. Da Joaninha c' avoa ou não avoa (cujo pai está em Lisboa) ao gafanhoto, que engraçado, pasta o verde no eirado. Dos moleiros, pelos carreiros, com os burros carregados, aos senhores engenheiros nos seus castelos envidraçados.
Vai o vate, a passear, para o mundo bem olhar, vem de volta c'uma ideia, c'os olhos a rebrilhar. Tanta coisa linda eu vi, tanta terra tanta gente, desde o rico ao indigente, há de tudo pra contar.
E como se faz tarde, mui depressa se vai embora, busca a pena sem demora pra plasmar tanta verdade.
10:42 | 0 Comentários

Há que preservar o bom senso em todas as circunstâncias
A que se deve tamanha cortesia? Perguntou Geraldino ao Grande Comandante. Disse o Comandante sem o menor rebuço, estais condenado à fogueira, de vos salvares não há maneira, mas concedo uma vontade com a minha autoridade. Geraldino pois pensou, que o Comandante tinha razão, mas pedir agora o quê, ai que grande aflição. Disse então Geraldino que era homem de tino, se não me posso safar e aqui me vou finar, antes um tiro no coração do que morrer em combustão, dizei que tentei fugir e resisti à prisão, que um tiro não custa nada e é uma morte mais descansada.

E assim foi.
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17 agosto 2005
Da Narrativa (conto d'assustar)
Um'istória d'aterrar, de cabelos arrepiar, de fugir pra não voltar. Que sustos e horrores, nem vos digo, meus senhores. E é história vera, não há que duvidar. Pois só tolos ou incautos s'escusam d'acreditar, fazem mal, pois que avisados estão prós prigos que vos narrar. Mesmo assim dev'avisar, pra quem tiver receio, o melhor é não ficar. Inda mais devo dizer qu'é história tã estranha, pior que uma aranha, para nela s'enredar. Pois que mete tanto medo e pra não mais assustar, melhor seja não contar.
18:47 | 0 Comentários

Enciclopédia Estival
(figura 2: influências psicossomáticas da literatura checa da primeira metade do Séc. XX)
18:41 | 0 Comentários

(s/ título)
Venham todos, venham ver, qu'é cousa de grande espanto, a Mulher do Belo Canto, que enfeitiça as sereias, venham ver o Homem Forte, vejam só que lindo porte, derruba inté um barracão c'um jeito de mão. Venham ver, o trapezista, que por nunca de lá sair tem um ar um pouco triste, foi a vida qu'escolheu. Venham ver o Homem Semi-Humano, metade gente metade bicho, que até mete impressão, canta como um pássaro e tem focinho de cão. Venham ver & venham ora, que se estamos aqui agora, amahã vamos partir para ver o que há de vir, maravilhas d'espantar, o que o futuro reservar que do passado já sabemos o que há pr'admirar.

Mas depois vamos voltar pra tudo vos mostrar.
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16 agosto 2005
O Vate
Oh, os nomes que são e que foram e que estão por sobre os lugares que foram pelos que são. Que foram os nomes lembrados dos lugares esquecidos e que ontem visitámos sem saber os nomes esquecidos dos lugares lembrados. Que a toponímia da memória é coisa larga como largo é o falar das gentes, como gasto é o falar das gentes e como cansado é o gesto do vate que não sabe o que dizer pelo muito que já foi dito, em todos os lugares por onde andou, os lembrados e os esquecidos com os nomes em palimpseto do sentido, perdido, dos nomes que se apagam nos mapas da memória das gentes.
15:59 | 0 Comentários

A Dama do Eirado
Ai que grande a ventania. Meus pertences p'lo ar, onde é qu'isto irá parar? Que desgraça meu Senhor!
Corram, corram, mais asinha, qu'inda haverá a salvar o pouco que restar. Vejam lá, mas vejam bem, nem tudo está perdido, a Virgem irá acudir. Não é por falta de pedir, não é pena por pouco rezar, qu'eu sou prestes n'orar, aos anjos e santos e demais potestades, pra lhes adoçar as vontades.
Mas o destino assim o quis, perder tudo o que eu fiz, prós meus nada ficar. Fuge, fuge, já não vejo, outra fuga que o beijo da Senhora da Gadanha, que me já pode vir buscar!
14:02 | 0 Comentários

12 agosto 2005
Quem passa?
Qu'é dela? Se a vires passar é favor m'avisar. Inda ontem aqui a vi, tão linda tão ladina, que bela bela menina, os olhos rebrilhantes como fossem diamantes. E hoje que não sei dela. Há de inda aqui passar? Estou cansado d'esperar.
Quem espera desespera, mas ela é a minha Primavera. Não deixes de olhar, para o caminho ali de baixo, qu'eu posso adormecer e ela passar sem eu ver.
Que tal desgraça não aconteça, que eu fico doente, só de pensar que, de repente, ela passa sem eu'star a olhar pra ela. Ela é como o luar, uma luz a faiscar. Será que quer namorar? Será que inda vai casar? Que o pouco que sei dela, nã chega prá'divinhar, se é solteira ou casada ou se só está ajuntada.
Mas esperança ainda tenho de a ver hoje passar. É só deitar o olho matreiro para a curva do carreiro.
10:37 | 0 Comentários

Coligindo em Passeio
5 escudos e 2 tostões, a tilintar nos meus calções. O Sol Estival, faz-me passar mal. Prefiro o fresco de um refresco. No remanso ou no ripanço, de uma sombrinha à hora do descanso, vendo as mulheres a passar c'oas maminhas a dar a dar. Oh, sublime visão, quem dera deitar-lhes a mão. Mas a Mulher, comigo não quer nada, nem amiga nem namorada, quanto mais mulher casada. Mas enfim, pass'adiante, vou ler um livro do Mandrake qu'ontem vi no escaparate. E beber uma limonada à sombra d'uma esplanada.
10:20 | 0 Comentários

11 agosto 2005
Mas Porquê?
18:14 | 0 Comentários

10 agosto 2005
Na Modorra
Se eu faço sou palhaço, se não faço sou madraço. Se eu corro fic'asmático, se não corro sou fleumático. Se eu olho sou devasso, se não olho sou madraço. Se eu quero sou guloso, se não quero sou preguiçoso. Se t'agarro eu t'amasso, se não toco sou madraço.

E eu, madraço assumido, acho isso divertido. Já qu'estou sempre lixado e pra não ficar cansado deix'a vida passar ao lado.
13:51 | 1 Comentários

Da Nutrição
Fartas galinhas (a inveja das vizinhas) e gordos leitões (a inveja dos patrões). Qual o mistério de tanta fartura, em terra de tam pouca verdura?
O segredo foi bem guardado qu'ele era muit'avisado: matou a esposa quezilenta c'uma enxada na venta e deu à bicharada uma ração reforçada com o corpo da finada!
13:46 | 0 Comentários

09 agosto 2005
A Viagem
Soromanho, lembrava-se de antanho, c'uma tristeza sem tamanho. Falava pelos cotovelos, das glórias, com tais desvelos que os olhos (era vê-los) pareciam dois novelos, de lágrimas e nostalgia. Aquilo já era mania, tanta saudade inté parcia que Soromanho já não vivia, mas apenas sobrevivia da sua fantasia.
De tanto se lembrar esqueceu-se de respirar. A Morte, qu'andava a rondar não mais quis esperar, e decidiu a Soromenho levar. Mas, condoendo-se do seu penar, um último desejo lhe quis dar.
E ao passado que tanto amou, Soromanho retornou.
10:48 | 0 Comentários

Conselho
Tudo tem a sua ciência e cada um o seu mester. Deus saberá de todos, embora uns se julguem mais próximos e outros abandonados do seu amparo. E, no entanto, diz-se que a vida é breve para tão longa arte. Seja. Os mais sábios de entre os sábios dizem que a todo o lugar a sua coisa e que os desígnios do Altíssimo são insondáveis. Dizemos nós, que vós deveis procurar a vossa ocupação, que deveis percorrer o caminho dessa demanda. Será a vossa recompensa a certeza de que, encontrando a vossa vocação íntima, também sabereis o lugar que vos foi dado ocupar na infinitamente complexa ordem das coisas.
10:26 | 0 Comentários

08 agosto 2005
A Banhista
23:58 | 0 Comentários

(s/ título)
Sacrossanta realeza, que foi de passeio a Veneza.
Num barco de tule e linho. Foram rezar ao santinho.
Que lhes fez a mercê, bem se vê, de lhes dar um varão.

Mas o milagre, por azar, saiu torto sem demora.

Pois o príncipe quando cresceu, afinal, era judeu.
Com nariz tão famoso, sovina e prestimoso.
Só podia ser filho de Isaac, o garboso.
23:53 | 0 Comentários

A Culpa É do Macaco
20:19 | 0 Comentários

Humor de Repetição

É o princípio do fim.
É o princípio do fim.
É o princípio do fim.
É o princípio do fim.

É o princípio do fim.
É o princípio do fim.
É o princípio do fim.
É o princípio do fim.

É o princípio do fim.
É o princípio do fim.
É o princípio do fim.

É o princípio do fim.
É o princípio do fim.
..É o princípio do fim...
FIM-
20:07 | 0 Comentários

De Manhã


Ploc, Ploc, Ploc
Chove a chuva no chão.

Se encontrasse um E.T.
Perguntava-lhe o quê?
19:58 | 0 Comentários

A Festa & A Pastora
Quem vive cantata d'horta lavores? Que vária sentinela d'alto, meus senhores? Soe si dizer-se qu'isto é uma festarela das grans et da grei... Qu'isto dá práqui tudo, das gran et das grei, emparelhando como é de gosto, só et soe dizer-se que non se à visto tal cousa em antes, d'acreditar nisto que mes olhos hão visto, pois estais aqui também.
Muitas rezas sõam, muita festarela c'o vinho anima as'almas et as carnes, Jesu, qu'eu hei visto.
Nã conto por somenos, que um jornata vos direi o mais que hei non dito, et vós non quereis saber, que soem artes do demo et d'artes do demo non há que saber.
Adelante, senhores, que se faze tarde, et tarde é mal haver...
18:53 | 0 Comentários

Inscrição
"Eis os piropeiros mais famosos da urbe: Espiritatus e Biritatis"
10:49 | 0 Comentários

Dos Dias Claros (uma oração)
Que o Sol nos alumie e que as tempestades passem ao largo pois nós, o Povo-dos-Dias-Claros, adoramos os mil deuses marinhos, terrenos e do ar, que são um só porque todos formam um só Deus, com mil pares de olhos, mil pares de mãos, mil pares de pernas e mil pares de asas, pois que Ele tudo vê, tudo pode fazer e a todo o lado pode chegar, mas um só corno tem na Sua fronte que o saber é um e é uno.

O Adorado é minúsculo e só a nós, o Povo Escolhido, nos é dado acariciar humildemente a Sua pele sedosa na palma da nossa mão.

E, assim como foi, seja, por todos os tempos passados, presentes e futuros, reais, sonhados e imaginados que o Mais-que-Adorado nos proteja, nos dê os mais límpidos e luminosos dos dias e nos afaste da noite.
10:47 | 0 Comentários

Esconjuro
Que passos de gigante te levem para longe destas terras devastadas.

Que os ventos cortantes do Norte te fustiguem as faces.

Que o Sol do meio-dia te torture e te seque a boca, que os rios recuem à tua passagem e que as fontes se inquinem, para que, sedento, não encontres onde beber.

Que alcateias te persigam e uivem na noite sem estrelas e sem lua, para que te desorientes e te percas no caminho e para que temas o cerco dos espíritos malsãos e que apenas contes com a vã protecção de saber que, mesmo as mais perversas almas, se coibem de com a tua privar, pois ela é, de todas, a mais impura.

Que as piores catástrofes que já foram dadas a conhecer à humanidade te atormentem e que os deuses divisem para ti novas hecatombes, que só poderão falhar por defeito, porquanto, se não há execesso que não tenhas cometido não há excesso de sofrimentro que te não seja apropriado.

Se, por ventura, por tua tão grande ventura, pereceres na jornada, fica ciente que, se nos céus justiça houver, o teu corpo insepulto permanecerá exposto aos elementos, menos impiedosos do que tu foste; porém, manter-se-á incorrupto porque nem os abutres, nem os chacais, nem as hienas e nem os vermes, por asco, ousarão decompor a tua imunda carcassa que, para todo o sempre, ficará patente aos olhares do mundo como monumento ao teu opróbio.
10:44 | 0 Comentários

07 agosto 2005
O Sol d'Agosto
22:44 | 0 Comentários

(s/ título)
Virgulina Virgulosa
Trocava dois dedos de prosa
Com a senhora leprosa
Que mexia numa grosa

Entre cair um dedo e ficar um nariz
Disse-lhe:
Foi Deus que quiz, foi Deus que quiz.
21:54 | 0 Comentários

Uma Deliciosa Bolinha de Pêlo
21:52 | 0 Comentários

Se os porcos voassem, onde é que aterravam?


No aeroporco.

21:42 | 0 Comentários

(s/ título)
Farta vária silhueta, ora ao crepúsculo parece nova, ora à luz parece velha. De noite é imagem d'homem e p'la manhã diáphana metáphora d'orvalho.
21:34 | 0 Comentários

Ponto de Ordem
Duas moscas a «coisar» no meu nariz foram pousar. Xu, moscas mal-fadadas. Qu'eu não sou empata-fadas, mas no meu nariz é que não!
21:32 | 0 Comentários

Memória d'um Facínora
Semper fúria, vulgata ciência e vaga prestança. Vendeu a família pra ficar co'a herança. Matou por dinheiro, matou em festança.

De tantos crimes ficou a lembrança.
21:30 | 0 Comentários

Ao Jantar
Circunvalente vivia da droga (comia-a com manteiga, no pão). Geraldino, com um olhar bovino, comia pepino. Solivânia dava saltinhos enquanto bebia um bife (mas sem batatas). E, os outros, já tinham cravado os talheres no Último Comensal.

Tlim, tlim, tlim.

«Meus senhores, vamos lá saber: o que mais querem comer?»
21:28 | 0 Comentários

Puro Malte
03:12 | 0 Comentários

06 agosto 2005
Enciclopédia Estival
(figura 1: "o trabalho")
01:55 | 0 Comentários

(s/ título)
Severino fazia as delícias das donzelas do reino. Aparecia em tardes magníficas como magnífica era a agitação feminina quando Severino se aproximava de qualquer povoado. Elas, as senhoras, sempre tão pacatas ficavam nervosas e expectantes, com palpitações e desmaios. Como que sentiam à distância a sua vinda.
Pobre Severino, sabia já que não iria durar muito. O seu pai tinha tido um fim trágico às mãos dos maridos ciumentos. Seu avô foi executado a mando de um poderoso senhor. E o culpado de tudo, o bisavô, não teve melhor sorte.
Nunca se deve fazer pactos com o demónio.
00:30 | 0 Comentários

O Salto
Sempre sedento de agarrar o momento dou um salto e paf, estatelo-me no chão.
00:09 | 0 Comentários

Não sei para onde ...
















... mas vou a caminho.
00:00 | 0 Comentários

05 agosto 2005
Incómodo
Trazia o rei na barriga, o que chateava bestialmente o Rei.
13:50 | 0 Comentários

Ao Telephone
- Alô Patáti.
- Está lá, Patatá?
- Sou eu Patáti.
- Eu sei Patatá.
- Estás bem Patáti?
- Estou, Patatá.
- Tu vens Patáti?
- Vou Patatá.
- Quando, Patáti?
- Já Patatá.
- Então vem Patáti.
- Está bem Patatá.
- Adeus Patáti.
- Adeus Patatá.

(e desligaram)
11:21 | 0 Comentários

Hora do Rimanço...
É na hora do remanso, do repouso ou do ripanço.
11:19 | 0 Comentários

Máxima Policial
Cá se fazem, cassetete.
11:15 | 0 Comentários

04 agosto 2005
Vidas...
Valério era valente e persistente, mas andava um pouco doente. As aliterações eram o seu ganha-pão. Trabalhava como poeta para uma firma de consultoria a Jovens Talentos com falta de inspiração.
19:43 | 0 Comentários

Importa-se de Repetir?
18:56 | 0 Comentários

...É de «carregar-pl'a-boca»
18:13 | 0 Comentários

Máxima ao Cubo
Era tão sovina que até poupava nas palavras.

Ou:

Era tão sovina que até guardava rancores.

Ou ainda:

Era tão sovina que nem dava satisfações.
13:28 | 0 Comentários

Notícia
Marcelina Marcelotta só gostava de compota. Singela, no pão ou numa torta, comia, comia compota. Tanta compota era digna de nota, os vizinhos perguntavam "onde pára a Marcelotta? Está ali co'a compota. Come-a toda, Marcelotta, e no fim ainda arrota".
Engordava Marcelotta, já parecia uma bolota. Mas, com'era torta, inda comia mais compota.
Um dia, encontraram-na morta: a compota rebentara-lhe co'aorta.

(Ver nota no jornal: "compota mata mulher-bolota").
09:35 | 0 Comentários

Ontem acordei assim...
00:30 | 0 Comentários

03 agosto 2005
Filosostremos
Os contrafortes da existência são as lâminas esgarças do destino.

Bem entendido que o destino não é o que se espera que seja. Essa é a característica inefável da coisa, pois que, se o destino fosse aquilo que se esperava que fosse não seria destino, nem lâmina, nem coisa nenhuma, mas ventoinha da vontade.

Ligar, desligar o destino como boa e honesta ventoinha seria, então, o passatempo favorito. E, a aleatoridade das coisas uma vaga e incómoda recoradação. Para quem ainda se lembrasse, pois que os demais estariam, muito melhor entendido, entretidos a ligar e a desligar as suas ventoinhas.
23:26 | 0 Comentários

Sentia-se um alvo a abater...
22:49 | 0 Comentários

O que faz um tigre de bengala?
Amanhã saberão a resposta!
22:41 | 0 Comentários

Diziam que era um coca-bichinhos (vá-se lá saber porquê)
22:02 | 0 Comentários

(s/ título)
Thelassiano gostava de raparigas. Oh, como gostava de raparigas. As raparigas eram tudo para ele. Até que um dia, como é evidente, foi preso.
Naquele mundo mais-que-perfeito ninguém podia contrariar o parágrafo único do artigo trinta e três da Lei de Sanidade: «Devido ao perigo de inseminação natural, as relações sexuais só são permitidas entre pessoas do mesmo sexo».
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(s/ título)
Por ele já se tinha atirado ao rio. Ou, arrancado a carne dos ossos. Mas não o fez porque tinha de cuidar das carraças, pulgas, piolhos e toda a sorte de parasitas que pululavam no seu corpo.
Afinal, tinha encontrado um propósito de vida.
21:56 | 0 Comentários

02 agosto 2005
... Acordei Assim
22:54 | 0 Comentários

Falam as Gárgulas
Morrem cedo os que os deuses amam.
Nós não somos amadas por eles.

Poder-se-ia dizer: felizmente.
Poder-se-ia dizer: infelizmente.
Quem o poderá dizer?

De madrugada tudo parece abandonado.
Sim, os deuses estão a dormir.
Apolíneos, descansam;
(nós velamos; seres crepusculares, fascinados pelos mistérios).
21:39 | 0 Comentários

Uma Fábula

Conta-se que, certo dia, Bolphur, o Patriarca das Serras, mandou reunir todos os animais das cercanias.
Dirigiu-se às improváveis bestas, ao touro de cinco patas e três cornos, ao espírito dos bosques, animal quase tão inefável como uma ideia, à hidra, ao hipercamaleão, que mimetizava não só as cores mas também as formas dos que lhes estavam próximos e ora assumia o aspecto de um peixe ora de uma ave sem, contudo, deixar de ser o mesmo, ao peixe voador que sendo um peixe como os outros voava e não respirava sob a água, à translíqueia que era totalmente invisível e que se fazia presente através de um silvo tão perturbador quanto melodioso, ao liquidemusgo que permanecia sempre tão rente ao solo que apenas partilhava as dimensões do comprimento e largura, enfim, falou até para a Árvore Milenar que foi plantada antes do tempo e por isso permanecia imune aos seus efeitos.
Raciocinou o ancião que o advento do homem estava próximo e que, as criaturas que não poderiam ser por este entendidas, dever-se-iam retirar para que o ser humano pudesse perceber ordem no mundo. Argumentaram os bichos que não tinham culpa de ser o que eram mas sabiam intimamente que não poderiam integrar o elenco das formas prescritas por Deus, nosso Senhor.
Partiram então, sem uma palavra e sem olhar para o que deixavam, mas alguns ainda nos visitam secretamente nos sonhos.
20:26 | 0 Comentários

Libelinha
20:21 | 0 Comentários

Profeta
Sempre sonho, sempre digo, sempre sei e sempre soube, sempre aviso, sempre sofro, sempre vivo (entre os mortos), sempre alerta, sempre insone, sempre cego, sempre vendo e prevendo, sempre triste, sempre frágil (qu'a fome é meu destino), sempre a vida me doeu por este dom que Deus me deu.
11:03 | 0 Comentários

Vagabundo Vagalume.
Vária vulgata da linha de prata dos olhos das gentes pousados nos meus. Olhares que soem doer, eviscerando minh'alma frágil, condoída deste viver no opróbio. No inverno, sem lenha na lama adonde vivo, ou sobrevivo, enforcam-se-me os sonhos, insone. Ilumino, porém, a escuridão, coruscante a quem s'aproxegar.
10:55 | 0 Comentários

O Anacoreta
Aquele que disser a palavra final nascerá pobre e viverá pobremente entre os homens. Será seu mister dizer a palavra mesmo que lhe tenham arrancado a língua. Seu direito e seu dever, o de a dizer. Apenas uma palavra (a palavra), a cifra secreta que só a ele lhe foi dada.

(Raciocinam os sábios teólogos que se o Verbo deu início à criação só o Verbo lhe deverá pôr fim, será justo que a criatura participe no desenlace, proferindo o sinal determinado no princípio dos tempos. Ao Homem foi dado o dom da palavra com esse único objectivo e poder assim vindicar os infortúnios da sua existência).

No deserto pouco há para comer, perdão Sr. Gafanhoto, hoje serás o meu sustento.

Em cima da pedra avisto a cidade dos homens, ao longe diviso uma nuvem de pó, os algozes aproximam-se. Dai-me forças para calar a dor, que me torturem mas que não quebre o voto.

No meio desta poeira sonho com o mar (que nunca vi) mas que tenho pela grande obra do Senhor. A imensa vastidão de mil rios.
10:18 | 0 Comentários

01 agosto 2005
Objecto Não Aconselhável
20:07 | 0 Comentários

O Vira d'Irumeu
Irumeu sabia voar, vira tudo viró par, Irumeu sabia cantar, vira vira sem parar, Irumeu queria dançar, vira vira inté matar, nã tinha ninguém pra bailar, vir'ágora sem parar, Irumeu cantava canções, virar agora e trocar corações, baixinho e sem efusões, vira vira inté rebentar, nem se queixava por demais, vai de roda, nem se queixava por demenos, vai de roda solt´ópar e já virou, puxava-lhe o pé para a dança, vai de roda é sempr'ándar, um coto sem prestança, vira vira até voar, assim Irumeu tã triste, roda roda p´lo ar, de desgosto se finou, vira vira virou e agora o vira acabou.
13:57 | 0 Comentários

Compasso Ternário
Linda borboleta que voas pelo ar. Não sabes da aranha que te espera? Não viste a ave que te espia? Não sentes a rede que, por ti, se agita?
Vem a mim, que incandesço como o Sol, que aqueço como o colo de mãe, que vigio como a coruja.
(Aproxima-te, espiralando borboletamente, à circunferência do meu esplendor).
Mais perto. Mais perto ainda. Mais perto é melhor.
13:50 | 1 Comentários

Nome: João Pereira de Matos Cidade: Lisboa
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escrevinhices@gmail.com

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